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O MELHOR DE DOIS MUNDOS




O meu automóvel, dos primeiros híbridos no mercado, já tem mais de oito anos de vida. Sei os custos materiais e energéticos de construir um veículo novo, apesar da reciclagem de muitos dos seus componentes, o que atenua o impacto ambiental do mesmo. Assim, acho que só se justifica trocar de carro se os custos de manutenção explodirem, se estiver em causa a segurança, se a família aumentar demais, ou então, se um automóvel novo, comparativamente com o meu, já tiver custos operacionais e ambientais muito mais reduzidos, que compensem os recursos associados a um novo veículo. Note-se que esta apreciação é sempre qualitativa e se calhar até em muitos casos errada, porque faltam claramente dados para uma avaliação correcta dos custos e benefícios da opção em causa, mas não deixa de ser um exercício estimulante e mesmo assim com uma boa dose de técnica à mistura. Nem que seja pura imaginação, já que a crise não permite por agora muitos desvarios e investimentos não prioritários, é uma reflexão de futuro que qualquer utilizador de um automóvel poderá fazer.
Se eu resolvesse substituir o meu carro agora, que modelo compraria? Gasóleo? Gasolina? Híbrido a gasolina? Híbrido a gasóleo? GPL? Eléctrico? Há dois factores decisivos que iriam pesar: o preço de aquisição e os consumos (sejam eles de combustível, de electricidade, ou ambos). É aqui, e sem defesa de qualquer marca ou modelo em particular, mas sim com base no que tenho consultado em vários estudos, que a minha opção mais atraente em termos de versatilidade e consumos (provavelmente já não tanto em termos de valor de compra), se inclina para aquilo que muitos peritos no mercado automóvel dizem ser o futuro próximo na transição para um uso mais intensivo dos veículos exclusivamente eléctricos. Falo obviamente dos chamados híbridos plug-in, que têm uma bateria que permite uma deslocação de cerca de 25 quilómetros em modo exclusivamente eléctrico, e que depois se comporta como um automóvel com consumos muito baixos, apesar já do uso da gasolina ou do gasóleo. Isto é, nas deslocações mais frequentes, que são habitualmente pequenas, poderei economizar muito e além disso poluir pouco, porque é nos primeiros quilómetros, até o motor e o catalisador aquecerem, que se verificam quer os maiores consumos quer as maiores emissões, já que nesta fase, com o motor num arranque a frio, é necessário gastar mais combustível e simultaneamente o catalisador ainda não tem a cerâmica suficientemente quente para assegurar as transformações dos poluentes mais graves em compostos mais inócuos. Nas deslocações mais longas, poderei usar os benefícios de um rendimento maior do sistema híbrido e ter consumos mais baixos e ultrapassar um dos grandes problemas de um automóvel exclusivamente eléctrico que é a autonomia e o tempo de recarga. É aquilo que outro dia, e bem, ouvi dizer: os híbridos plug-in são o melhor de dois mundos.
Posto isto, só me resta esperar pelos primeiros modelos que chegarão ainda este ano, e que, tal como as previsões indicam, este seja um segmento de grande crescimento, e que os preços acabem depois por descer… porque pelo que sei dos modelos a comercializar para já, ou se é muito verde e o custo fica a bem da Humanidade, ou então será ainda preciso desembolsar bastantes euros para o comprar, e as vantagens dificilmente serão compensadas pela diferença acrescida de preço.


Francisco Ferreira, Vice-Presidente da Quercus

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